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sexta-feira, 15 de julho de 2016

A tal rua dos desejos.


Peguei-me pensando em você e naquele nosso primeiro encontro; que a meu ver fora uma cena tirada de um daqueles filmes de menina que você tanto gosta.

O brilho dos teus olhos vez ou outra ofuscava as luzes da avenida movimentada.

Rua dos desejos, fora o que me dissera de forma tão convicta me apresentando a tal rua. Relembrando o momento, acredito não ter durado mais do que alguns minutos; mas senti como se tivesse durado por um momento infinito. As palavras saíram de seus lábios e quase de imediato concordei. Rua dos desejos. Era isso... E você era a prova viva.

Te desejei desde a primeira mensagem incerta. E ali, entre as palavras nervosas e gestos agitados... ah, como eu te quis, menina. Era difícil me concentrar com seus lábios dançando daquele jeito. Ou quando teus olhos encontravam os meus.

Tremi na base tantas vezes que nem me recordo.

E depois nossos passos seguiam calmos contra o chão gramado, mas mais parecia que caminhávamos
rumo ao infinito estelar naquela noite acho que me perdi no céu da tua boca e nas galáxias do teu corpo, moça.
[e por lá fiquei.]

Autora: Lorena Ferreira
Ilustração: Leonardo Alves

terça-feira, 14 de junho de 2016

Quando o amor passou a ser sintoma de doença.



Não me lembro bem, mas tentarei relatar os fatos tais como ocorreram.

Fora naquela manhã, antes deu ir p’ra a faculdade – seus lábios foram de encontro a minha pele, ao que seus dentes cravaram-se numa mordida súbita em minhas costas – e só me dei conta quando já estava na metade do trajeto, quase em colapso num dos assentos do metrô.

Meu corpo febril e entorpecido me informava de que algo estava errado.

Calafrios me atingiam vez ou outra em contraste com as batidas aceleradas do meu coração – que mais parecia querer compensar as pulsações, pois pararia a qualquer instante.

O metrô aparentava correr em câmera lenta sobre os trilhos. Algo estava errado e eu só conseguia pensar no ocorrido daquela manhã.

Flashes borrados e distantes disparavam em minha mente.

A ficha estava caindo.

Acho que havia chegado minha hora.

Lá estava eu, sendo atingido pelas sensações que me invadiam o corpo sem nem ao menos pedirem licença.

Vivíamos num mundo no qual lutávamos por uma sobrevivência cotidiana mesquinha. Num momento de distração, descuido, guarda baixa... Deixei-me contagiar.

Seria meu fim ou um começo de uma nova vida tão pouco desejada nas situações atuais?

Lembro-me dos teus olhos sobre mim, como quando admiramos uma torta de frutas vermelhas atrás do balcão. Naquele momento, pensei estava eu protagonizando o papel de presa em seu show e ela não parecia querer abrir mão daquilo. Hipnotizou-me com teus beijos. Marcou-me com tuas mordidas. Ganhou-me com tuas juras...

É, meus caros antes eu estivesse me transformando em um zumbi sedento por cérebro, mas acho que estou apaixonado… sedento por alguns afagos. 


Autora: Lorena Ferreira
Ilustração: Lua Burns