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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Por favor, não pare!



Seus dedos são habitados por uma infinidade de sensações inexplicavelmente prazerosas. Neles residem a essência da felicidade e o êxtase da realização humana, algo que jamais poderá ser transcrito e esgotado por toda a abrangência da linguagem verbal, afinal se trata de uma comunicação entre almas, uma conexão abstrata e onipresente entre nossos íntimos. Ao sentir o seu toque sou tomado e possuído pelo ápice da emoção, tudo ao redor se desmaterializa e toda a beleza e dignidade da sua existência ganha forma dentro de mim, sou inteiramente amplificado, tudo ganha uma nova dimensão, um novo sentindo, você inventa e reinventa minhas experiências, enquanto eu só suplico, por favor, não pare. Eu preciso do seu toque, ele me dá proposito e uma razão de sobrevivência, eu descubro nele algo pelo qual vale a pena lutar sem sacrifício, cada suor, cada dor, cada esforço é uma celebração gloriosa e que se apresenta orgasticamente festejada nas nuances mais peculiares do meu corpo.  Não há nada que eu anseie mais do que a nossa eternidade, então por favor, não pare, eu preciso de você, minha felicidade agora está na palma da sua mão e eu não a aceitarei de volta, porque a felicidade só é de fato felicidade quando você está presente nela, o resto são apenas alegrias momentâneas e que não suprem, nem suportam, a minha persona mais natural e profunda: você, porque não existo mais sem ti. Ainda em meio a esse excesso de eufemismos, sim, eufemismos, não há exagero em nada aqui, apenas uma partícula muito ínfima do que é de fato, eu peço que por favor, não pare, eu sou um ser doente, e você é a minha patologia ao mesmo passo que é a minha cura, nada pode desmoronar, corroer e putrefaz-me como você, no mesmo impasse em que nada pode me fazer tão radiante e vivo quanto você faz. Eu matei, sem ressentimentos, o meu eu, e agora sou apenas nós, o meu toque só faz sentindo se for tocado em você, a minha existência só faz sentindo se eu existir em você, então eu imploro novamente, por favor, não pare, não pare de ser você.

Autor: Jordan Dafné
Ilustração: Gabriel Souza

segunda-feira, 28 de março de 2016

Trapaça.



As diferentes formas de amar se confundem e se conflituam fervorosamente de dentro para fora e de fora para dentro, há diálogo, há lágrimas, tal qual há vontade de ferir, de fazer-se importante, de ressaltar a necessidade que um tem outro uma vez que estão regados e conectados pelo mesmo sentimento. A sintonia, a harmonia e a coerência entre aquelas duas partes que se completam tão bem se transformam num jogo, hostil, cruel! As regras materializam a imaturidade e a fragilidade, danificam  e causam arrependimentos. É complexo como xadrez, audacioso, traidor e misterioso feito cartas de baralho, corrompe e destrói um a um até completar o todo como uma fileira de dominós, onde um único sopro desencadeia um cânone quedas ritmadas e que parece interminável. O grande porém é que não somos peças de jogos, portanto, não devemos jogar, a queda de dominós pode ser a nossa queda, e doerá. A unica regra deve ser não ter regras, não busque pelas melhores estratégias de jogo, porque no final será game over para todos, não há vencedor, tenha em mente: jogar é trapacear contra si mesmo.

Autor: Jordan Dafné
Ilustração: Jordan Dafné