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domingo, 14 de agosto de 2016

terça-feira, 5 de julho de 2016

Blackout.



Eu queria um mundo com menos luz, mais escuridão

assim poderia analisar melhor as estrelas, contemplar a imensidão

ver o canal de planetas da enorme televisão,

ofuscada pelos milhares de vaga-lumes vagabundos terrestres,

perdida no antro elétrico da civilização.


Autor: H.
Ilustração: Wagner Medeiros

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Navegação.



Põe fogo nesse poema
com tua língua pirotécnica,
abraça essas ideias e conversas
construindo navios
numa calma dialética
para que naveguem,
revezem entre mares e rios,
flutuem nessas sinuosas curvas
as quais chamamos de pernas,
arranhando como pedras no casco,
metendo-se como dedos no vazio
e desbravando por milhares de milhas náuticas,
indo e vindo com admirável brio
o qual chamamos de arrepio.

Autor: H.
Ilustração: Leonardo Alves

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Amor de furacão.



Da escada em espiral
já via a menina seu futuro,
sentada no telhado
admirando o vendaval
que destruía todo o seu jardim.
Sua horta, que era sempre verde,
antes coloria o quintal,
mas agora em ruínas jazia, encolhida
e a menina, coitada,
chorando em posição fetal
aguardou no telhado a noite
que lhe trouxe uma chuva de cometas
e, enquanto o céu desabava,
voava a menina, surreal.

Autor: H.
Ilustração: Leonardo

sexta-feira, 25 de março de 2016

28 dias.



Volta e meia,
rodando pela lua cheia
canta saltitante,
através da lua minguante
brilha colorida
e em cada dia se transforma
depois, some em lua nova.
Mas então,
tão de repente
volta aos poucos
uma lua crescente,
que passa por fases obscuras,
fases reluzentes,
entre marés de sizígia
e amores de quadratura
só existem três certezas na vida:
a morte, o sol e a lua.

Autor: H.
Ilustração: Leonardo